Introdução ao Crédito
Mas, sendo inegável a importância económica do papel desempenhado actualmente pelo crédito, há que não esconder os inconvenientes que também apresenta, do ponto de vista tanto económico como social. O recurso exagerado ao crédito pode contribuir para «sobre-aquecer» a economia e gerar processos inflacionistas. Perigos existem também, agora no plano micro-económico, de os consumidores gastarem a crédito muito acima das suas reais possibilidades, assumindo, talvez seduzidos pelas «facilidades» com que lhes acenam os produtores e os distribuidores de bens e serviços, compromissos que não podem honrar depois.
Estes perigos podem mesmo obrigar os poderes públicos a intervir, seja para combater a inflação, reduzindo possivelmente de corma drástica a concessão de crédito pelos intermediários financeiros, seja para proteger os consumidores contra a sua própria imprudência ou contra os eventuais excessos dos respectivos credores. E assim temos, aliás com frequência hoje crescente, legislação económica e social visando enquadrar de várias perspectivas o crédito.
Os inconvenientes que possa apresentar, porém, não ofuscam por certo a utilidade económico-social do crédito, ao menos quando o recurso a ele seja justificado, oportuno e ordenado. Isto fundamenta a abordagem, que propomos aqui, do fenómeno do crédito.
Tratando-se de um fenómeno económico mas também de consequências sociais e ainda objecto tanto da solicitude do poder político como, por isso mesmo, de variada regulamentação jurídica.
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